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Desova: Diomedes – A Trilogia do Acidente (2012)

De Loureço Mutarelli
Companhia das Letras

Há muitos anos atrás, antes de transitar por vários caminhos artísticos (hoje ele é escritor, dramaturgo, ator, entre outras coisas), Lourenço Mutarelli era conhecido como um dos grandes nomes dos quadrinhos brasileiros. Porém sua visibilidade era restrita aos aficionados por HQs mais elaboradas e complexas. Muito distante das tiras cômicas dos jornais e dos gibis do Maurício de Souza. Sua obra era angustiante e perturbadora. Apesar do reconhecimento no meio, nunca alcançou as massas. Porém, no final dos anos 90, ele iniciou a produção de sua HQ mais conhecida. O traço sujo e o texto perturbador deram espaço a algo mais contido, aproximando-se das clássicas histórias policiais cheias de intrigas e mistério. Porém em se tratando de Mutarelli nada é convencional. Sua história policial é aditivada com um humor negro mordaz e seu personagem principal, “o detetive”, foge totalmente dos clichês do gênero. Diomedes, o “herói” da trama é um gordo falido, corno e bebum que vive em um ambiente degradado. A história se desenvolve a partir do momento que esse indivíduo é contratado para encontrar um mágico desaparecido. A partir disso, e de forma mais sutil, o universo e os personagens atormentados que permeavam o início da carreira do autor vão sendo inseridos. A obra foi produzida como uma trilogia, só que em quatro volumes. O Dobro de Cinco, O Rei do Ponto e A Soma de Tudo partes 1 e 2 encontravam-se fora de catálogo há muito tempo. Mas agora, merecidamente inserido no cast da maior editora do Brasil, a Companhia das Letras, Mutarrelli tem sua saga do detetive Diomedes relançada com os quatro livros reunidos em um único volume. A nova edição traz esboços inéditos que não estavam no original. Além disso, o letreiramento foi refeito e os desenhos originais foram reescaneados com o intuito de criar uma experiência gráfica ainda mais impactante. Mutarelli, que havia parado com a produção de HQs, retomou ao formato em 2011 com o lançamento de Quando Meu Pai Se Encontrou Com O ET Fazia Um Dia Quente, também editado pelo selo específico da editora, o Quadrinhos na Cia.. Resta torcer para que outras obras do autor também ganhem novas edições, principalmente as produzidas nos anos 80 e 90, que hoje são verdadeiras relíquias.